Existe um sentimento curioso em torno de Horizon Hunters Gathering: ninguém parece dizer que o jogo é ruim. Pelo contrário. O visual é competente, a ideia de cooperação funciona, o combate lembra uma mistura interessante do DNA de Horizon com algo mais direto, quase arcade, focado em heróis e ação em grupo. Em resumo, parece tudo “ok”.
E talvez esse seja exatamente o problema.
Porque, quando uma franquia como Horizon anuncia algo novo, “ok” não é a expectativa. A expectativa é impacto, é direção clara, é evolução perceptível. Hunters Gathering soa mais como um desvio lateral bem executado do que como um passo à frente que realmente empolga.
Um bom mix… que levanta perguntas
É fácil entender a proposta: pegar elementos clássicos de Horizon — máquinas icônicas, mundo reconhecível, identidade visual forte — e misturar com uma estrutura mais arcade, centrada em personagens, habilidades e cooperação constante. Esse tipo de design funciona, é popular e conversa bem com o mercado atual.
O problema não é o que foi criado.
É o que deixou de ser criado para isso existir.

Em algum ponto, alguém decidiu que esse era o projeto que deveria ocupar espaço, tempo e atenção da Guerrilla. E aí surge a pergunta que muitos fãs evitam verbalizar, mas sentem: por que estamos vendo isso agora, e não Horizon 3?
A sensação de troca silenciosa
Parte do desconforto vem da impressão de que a Sony está trocando algo que sempre funcionou por algo que “funciona no mercado”. Horizon construiu sua reputação como uma franquia de single-player sólido, narrativo, autoral e tecnicamente impressionante. Era um método confiável. Testado. Bem-sucedido.
Hunters Gathering não parece negar isso — mas também não reforça. Ele existe em paralelo, como se dissesse: “não estamos abandonando o single-player… mas também não estamos com pressa para voltar a ele.”

Para muitos jogadores, isso soa menos como expansão criativa e mais como adiamento disfarçado.
Precisávamos mesmo de mais um multiplayer estilizado?
Existe ainda outra camada de incômodo: o estilo. O tom mais cartunesco, os personagens com identidade mais exagerada, a sensação de jogo “mais leve” colocam Hunters Gathering em um território já bastante ocupado pela indústria.
E aí surge a pergunta que ninguém gosta de fazer, mas que é legítima:
👉 precisávamos mesmo de mais um multiplayer estilizado, colorido e cooperativo?
Não porque esse tipo de jogo seja ruim — mas porque ele já é abundante. O que tornava Horizon especial era justamente o contraste: um mundo belo, melancólico, silencioso e profundamente focado na jornada individual.

Ao suavizar isso, o jogo ganha acessibilidade… e perde singularidade.
Talvez o problema não seja o jogo, mas o timing
Hunters Gathering parece um jogo competente preso ao momento errado. Se Horizon 3 já estivesse anunciado, em produção avançada, com horizonte claro, talvez esse spin-off fosse visto apenas como uma curiosidade simpática. Mas, sem essa âncora, ele acaba carregando um peso que não pediu para ter.
Ele vira símbolo de uma pergunta maior:
para onde a Sony quer levar suas franquias mais fortes?
Conclusão: está tudo bem… mas isso basta?
No fim, Horizon Hunters Gathering parece exatamente isso: um jogo que está tudo bem em existir. Ele mistura bem o clássico com o arcade, entrega uma experiência funcional e provavelmente vai encontrar seu público.
Mas “estar tudo bem” não é o mesmo que ser necessário.
Nem é o mesmo que ser desejado.
Talvez o silêncio em torno de Horizon 3 diga mais do que qualquer trailer. E talvez o verdadeiro desconforto não seja com o que a Sony mostrou — mas com aquilo que ela decidiu ainda não mostrar.
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