Você pode desviar os olhos da câmera justamente porque está acompanhando a reunião. Basta conferir um número, ler uma anotação ou procurar o documento que alguém acabou de mencionar. O Zoom, aplicativo de videochamadas, quer diminuir esse desencontro entre o que a pessoa faz e o que os outros veem: anunciou em 20 de outubro o Pose Correction, que ajustará sua imagem durante olhadas rápidas para fora da câmera.
Segundo a empresa, a inteligência artificial funcionará no próprio aparelho, mantendo uma aparência mais voltada para a câmera. A correção terá um alcance limitado, descrito como natural, e retornará suavemente à imagem normal. A previsão é dezembro de 2026. Portanto, ainda estamos diante de uma promessa de lançamento, não de um botão que todo mundo já pode ativar.

O uso proposto faz sentido. Imagine apresentar um projeto com as anotações em outra tela. Você precisa consultá-las para falar com precisão, mas também quer olhar para quem está ouvindo. A ferramenta tenta aliviar essa pequena coreografia, em vez de exigir que o apresentador decore tudo ou organize o escritório em torno da lente.
Há, porém, uma escolha curiosa nessa solução: o software muda a imagem enviada, enquanto a pessoa continua olhando para outro lugar. A reunião passa a mostrar uma versão discretamente encenada de um comportamento perfeitamente normal. Não há motivo para tratar uma consulta às notas como trapaça. Talvez por isso mesmo seja estranho precisar retocá-la.
Uma câmera também não revela o que alguém está pensando. É possível encarar a lente e não acompanhar uma palavra; é possível olhar para baixo e estar anotando a informação mais importante da conversa. O Pose Correction atua sobre a aparência. Usar essa aparência como prova de atenção continuaria sendo um julgamento frágil, com ou sem IA.
O melhor destino para o recurso seria o de uma opção conveniente para quem apresenta, sem virar uma exigência de etiqueta profissional. Quem preferir aparecer sem a correção não deveria precisar explicar por que olhou para um caderno. É uma preocupação com o uso que podemos fazer da ferramenta, não uma intenção que o Zoom tenha anunciado.
Quando o recurso chegar, valerá observar se a transição é discreta e confortável como a empresa promete. Se funcionar bem, poderá facilitar uma apresentação. Mas consultar as próprias anotações deveria continuar sendo a parte menos artificial de qualquer reunião.
