Um teste da campanha mostra por que a lista de tecnologias de um jogo não conta toda a história sobre sua imagem.
No menu de gráficos, a promessa parece simples: ligar uma opção para deixar o jogo mais bonito. Em Call of Duty: Modern Warfare 4, o jogo de tiro da Activision, essa decisão traz uma condição inesperada. Na versão analisada pela ComputerBase em 19 de outubro, ativar ray tracing com o sistema padrão do jogo impede o uso do DLSS Super Resolution.
Para entender o problema, vale separar as peças. Ray tracing simula trajetos da luz para produzir efeitos como reflexos e sombras. Como calcular tudo com precisão seria pesado demais, o jogo trabalha com uma quantidade limitada de amostras. O resultado precisa passar por um processo de limpeza visual, chamado denoising, para reduzir o aspecto granulado.
O DLSS Super Resolution faz outro trabalho. Ele reconstrói uma imagem de resolução mais alta a partir de imagens menores, usando também informações de movimento e quadros anteriores. Assim, a placa pode renderizar menos pixels e tentar preservar uma boa apresentação na tela. Esse recurso é diferente da geração de quadros, que cria imagens intermediárias.
Segundo o teste, a limpeza do ray tracing feita pelo sistema padrão de Modern Warfare 4 só funciona com a solução interna Filmic SMAA T2X. As opções de reconstrução DLSS, FSR e XeSS deixam de poder trabalhar com esse caminho. A ComputerBase considera a imagem do SMAA inferior quando a resolução interna é reduzida.

A alternativa da Nvidia para a limpeza do ruído, chamada Ray Reconstruction, não estava disponível na versão analisada pela ComputerBase. Isso descreve aquela implementação, não uma incapacidade geral das placas GeForce.
O resultado é uma escolha mais complicada do que “iluminação bonita versus alguns quadros a menos”. Dependendo da placa, o jogador também precisa abrir mão de outra ferramenta de imagem. Comparar somente a presença de ray tracing ou o número de recursos no menu deixa essa parte da experiência escondida.
A crítica aqui é à combinação oferecida. Uma opção gráfica deve ser avaliada pelo resultado que produz junto das demais: aparência em movimento, desempenho e concessões exigidas. Ter acesso a uma tecnologia não garante que ela forme o melhor conjunto para aquele computador.
O teste citado é da campanha, foi realizado pela ComputerBase e não deve ser tratado como previsão automática do multiplayer. O Mais FPS não executou esses testes. Ainda assim, a lição é útil: antes de comprar uma placa por causa de um selo, vale descobrir quais opções realmente conseguem trabalhar juntas no jogo que você pretende jogar.
Ilustração conceitual: Mais FPS, criada com IA. Não é uma captura do jogo nem comparação de desempenho.
